Por Dalva da Cruz

Introdução

Meu proposito aqui é escrever sobre as principais consequências da separação dos pais para os filhos. Aqui a parte 3 desse artigo.

Como o assunto é muito complexo e longo, foi necessário dividir o artigo em três partes. Na parte 1 eu faço a introdução que é geral, na parte 2 abordo as consequências para as crianças até uma certa idade, na parte 3 abordo as outras idades. Essas três partes se complementam e não devem ser lidas isoladamente para não perder o contexto.

Estudos recentes mostram que a cultura onde a criança vive pode influenciar muito em seu desenvolvimento e consequentemente no estado emocional do adulto mais tarde.

As principais consequências da separação dos pais para os adolescentes

Adolescentes (12-18 anos) têm a tarefa de desenvolver uma identidade, tornar-se independentes e desenvolver sua sexualidade. Além disto, eles estão cada vez mais se distanciando dos pais e podem em parte encontrar compensação fora da família. O risco do divórcio é que eles não têm um exemplo positivo de uma relação matrimonial. Isto pode atrapalhar seu próprio desenvolvimento de identidade. Problemas em torno de novos parceiros dos pais também surgem regularmente.

Há também um aumento de risco de redução do desempenho escolar, comportamento de risco e distância acelerada dos pais ou mesmo risco de desaprová-los moralmente.

Os adolescentes podem também começar a se opor às regras de cuidados e visitas, pois a complexidade de suas vidas aumenta e as mudanças às vezes são mais difíceis de se encaixar. Adolescentes podem sofrer de sentimentos negativos, mas às vezes, se- aglomeram ou blefam. Também, alguns adolescentes se adaptam excessivamente aos  pais. Pode ocorrer a polarização (na relação com ambos os pais) e as emoções às vezes são fortemente  racionalizadas. Pais de jovens e adolescentes têm a tarefa de proporcionar estabilidade, paz, apoio e uma base segura, mas também de estabelecer limites e orientar seus filhos. Nesta fase os pais ainda são um modelo para seus filhos.

Para os pais, pode ser um desafio suportar a crescente independência de seus filhos e  monitorar o equilíbrio certo entre segurar e deixar ir. Ao lidar com expressões (morais) de adolescentes, é importante que os pais tenham empatia e resiliência, o que nem sempre é fácil em situações em torno de um divórcio.

Segundo a Professora Eveline Crone em uma entrevista (por Evelien van Veen 22 juli 2017, para o jornal Volkskrant), o limite entre puberdade e idade adulta difere por cultura e por nível de educação. Eveline Crone é neuropsicologa e recebeu o premio Spinozapremie por sua pesquisa sobre o cérebro do adolescente e é autora de dois livros sobre o assunto: Het puberende brein ( O cérebro adolescente -2008) e Het sociale brein van de puber (O cérebro social do adolescente -2012).

Ela disse que “Na psicologia do desenvolvimento, definimos o final da adolescência por volta dos 22 anos de idade, mas pode ser antes para os jovens que se casam, se estabelecem e trabalham mais cedo do que para os jovens que começam a trabalhar mais tarde. Não podemos dizer muito sobre causa e efeito, mas o cérebro se desenvolve de maneira diferente em alguém que se casa e começa a trabalhar aos 18 anos do que em alguém que ainda estuda aos 25 anos”.

Concluindo

Como esses estudos recentes mostram, a cultura onde a criança vive pode influenciar muito em seu desenvolvimento e consequentemente no estado emocional do adulto mais tarde.

Quem passou pelas outras fases de forma mais segura e estável, com acompanhamento afetuoso dos pais ou cuidadores, tem mais chance de fazer as escolhas e lidar com os questionamentos e inevitáveis dúvidas de forma sadia e equilibrada, sabendo à quem pode recorrer para esclarecer suas dúvidas.

Os jovens que tiveram menos acompanhamento nas fases anteriores, ou viveram em um ambiente inseguro ou instável vão ter mais dificuldades na adolescência. Mas finalmente, todos vão encontrar seu caminho, mesmo dando voltas.

Espero que este artigo ajude os pais a entenderem melhor seus filhos. Caso tenha alguma duvida sobre a melhor forma de cuidar da formação de seus filhos, não hesite em procurar ajuda de um profissional competente, de preferencia que conheça a cultura do pais onde você vive.

Nem sempre é possível evitar um divorcio ou separação, em alguns casos é melhor separar do que ficar juntos. Porem, muitas separações poderiam ter sido evitadas com uma terapia de casal ou mesmo individual, onde os conjugues aprendam a se conhecer, descobrir o seu papel e influencia no sucesso ou fracasso do relacionamento.

Dalva é psicoterapeuta formada na Holanda, onde reside a mais de 35 anos. Possui todos os registros exigidos pela associação de terapeutas e planos de saúde. Atende em seu consultório Praktijk Dalva. https://redequerobrasil.nl/listing/psicoterapeuta bilingue/

Leia outros artigos relacionados:

Comentários

mood_bad
  • Ainda não há comentários.
  • chat
    Adicionar um comentário