por Dalva Marçal da Cruz

Introdução:

Meu proposito aqui é escrever sobre as principais consequências da separação dos pais para os filhos. Aqui a parte 2 desse artigo.

Como o assunto é muito complexo e longo, foi necessário dividir o artigo em três partes. Na parte 1 eu faço a introdução que é geral, na parte 2 abordo as consequências para as crianças até uma certa idade, na parte 3 abordo as outras idades. Essas três partes se complementam e não devem ser lidas isoladamente para não perder o contexto.

As principais consequências da separação dos pais para os filhos

Bebês e criança pequena de 0-2 anos (dreumes em holandês) estão particularmente precisando de segurança física e emocional e ritimos fixos. Estresse, tensão e insegurança têm consequências a curto prazo (choro, sono e problemas alimentares), mas também a longo prazo (na forma de problemas de apego). A partir do primeiro ano de vida, as crianças podem temporariamente estranhar um pouco mais porque ainda não se desenvolveu a confiança de que quando o pai ou mãe  saem voltam. Fatores protetores são uma boa coordenação dos pais sobre os cuidados diários, educação e rituais, além de disponibilidade emocional e sensibilidade suficientes.

Além de consolo e segurança, as crianças de 2-4 anos, (peuters em holandês) também precisam de orientação e limites, inclusive na forma de rituais educativos. Eles lentamente se desprendem da simbiose com os pais e se tornam mais autônomos pelo jogo exploratório. A luta dos pais com isto, por exemplo, na forma de sentimentos ambivalentes e medo de perder o filho, pode dificultar este processo. É normal que as crianças experimentem um período em seu desenvolvimento em que sejam mais unidirecionais, mais emocionais ou ansiosas do que antes. Além disto elas podem mostrar um período de regressão, no qual voltam ao comportamento ou sensação de um período anterior. Ajuda quando os pais coordenam quanta estrutura eles oferecem e quais regras eles usam. Se o comportamento “difícil” das crianças, que pode ser o resultado do medo mágico e faz parte do desenvolvimento normal, se tornar motivo de briga para os pais em processo de divórcio, vai aumentar o risco de problemas. Além  disto, crianças pequenas podem sofrer de pesadelos e medo de abandono. Estes medos são normais, mas podem ser exacerbados por problemas entre os pais após o divórcio.

Pré-escolares, (kleuters em holandês) e crianças do ensino fundamental de 4-8 anos, desenvolvem suas habilidades sociais e autoconfiança. O desenvolvimento da consciência e da consciência moral também está ocorrendo, e há uma crescente compreensão e cumprimento das regras. Possíveis problemas após o divórcio, como conflito entre os pais ou estresse, podem levar a sintomas de regressão em pré-escolares (por exemplo, recaída da fantasia e pensamento mágico). Os pré-escolares ainda não são capazes de entender o motivo da separação e estão mais inclinados a colocar a culpa sobre si mesmos. A má identificação com um dos pais ou compensação excessiva de intimidade com um dos pais, pode dificultar a autonomia e o desenvolvimento incipiente da identidade e causar problemas de lealdade. Ajuda quando os pais estimulam as habilidades sociais de seus filhos, guiam sua crescente independência e, ao mesmo tempo, proporcionam aos filhos confiança e segurança. Os pais agem como exemplos. Eles podem mostrar como se leva em conta os outros e como resolver conflitos.

Na idade escolar (8-12 anos) eles desenvolvem relações de amizade e autoconfiança e gradualmente aprendem a se colocar no lugar do outro, mas eles também correm o risco de se preocuparem demais com os pais, se ajustando demais e querendo satisfazê-los. A parentificação também pode ocorrer, assim como ataques de raiva ou sentimentos de rejeição. Além disto há uma chance de que os problemas em torno da separação atrapalhem o processo de aprendizagem e o desempenho escolar. Muitas mudanças na forma de novos parceiros, mudanças de casa, mudanças escolares etc. podem piorar isto. A compreenção racional do divórcio está aumentando, mas emocionalmente ainda é difícil. As crianças podem se sentir abandonadas pelos pais e podem lutar com sentimentos conflitantes em relação a ambos. No entanto, nesta idade eles estão gradualmente desenvolvendo certos mecanismos de enfrentamento que os ensinam a  lidar melhor com conflitos entre os pais. Aos poucos, os pais se tornam menos o centro de sua existência, e é uma tarefa dos pais incentivar isto.

Dalva é psicoterapeuta formada na Holanda, onde reside a mais de 35 anos. É registrada na associação de psicoterapeutas LVPW e RBCZ. Atende online e em seu consultório Praktijk Dalva. https://redequerobrasil.nl/listing/psicoterapeuta bilingue/

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