Por Dalva M. da Cruz

Introdução

Meu proposito aqui é escrever sobre as principais consequências da separação dos pais para os filhos. Aqui a parte 1 desse artigo.

Como o assunto é muito complexo e longo, foi necessário dividir o artigo em três partes. Na parte 1 eu faço a introdução que é geral, na parte 2 abordo as consequências para as crianças até uma certa idade, na parte 3 abordo as outras idades. Essas três partes se complementam e não devem ser lidas isoladamente para não perder o contexto.

As principais consequências da separação dos pais para os filhos

De acordo com pesquisas holandesas e internacionais, os jovens têm bastante problema após o divórcio dos pais. Comparados aos jovens de pais não divorciados/separados os jovens que têm esta experiência têm o dobro de problema. Claro, jovens de famílias cujos pais vivem juntos mas com muitas brigas também têm muitos problemas. Pesquisas com jovens com um ou mais problemas mostram que estes jovens muitas vezes têm pais divorciados. A separação dos pais é, então pelo menos um dos fatores de risco.

Às vezes, pensa-se que as consequências do divorcio para os jovens estão gradualmente se tornando menos negativas porque os divórcios se tornaram cada vez mais aceitos. No entanto, para a maioria dos jovens com pais divorciados, a situação não melhorou desde a mudança da lei holandesa de 2009 (Paternidade contínua após o divórcio), pelo contrário, piorou. Pesquisas recentes mostram que os problemas causados pelo divórcio aumentaram em gravidade na última década. O que complica é que os problemas dos jovens nem sempre são visíveis para quem olha de fora.

Os principais problemas em consequências da separação para crianças e jovens que aparecem a curto prazo são:

  1. Emocionais: sentimentos depressivos, estresse, problemas de lealdade,
  2. Sentimentos de ansiedade, problemas de identidade e baixa autoestima,
  3. Comportamentais: agressividade, delinquência, vandalismo, automutilação
  4. E hábitos de risco (tabagismo, consumo de drogas ou álcool),
  5. Problemas nas relações de amizade,
  6. Relação mais fraca com os pais,
  7. Notas mais baixas na escola, problemas de concentração e tensões em contato com outros alunos,
  8. Físicos: (dor de cabeça,  barriga, distúrbio de sono, queixas de estresse).

Em vinte por cento dos jovens com pais divorciados os problemas continuam. Em cerca de oitenta por cento dos jovens os problemas melhoram depois de mais ou menos dois anos.

As principais consequências da separação dos pais a longo prazo são:

  1. Nível final de escolaridade mais baixo,
  2. Menor renda,
  3. Maior risco de divórcio mais tarde,
  4. Maior risco de depressão, incluindo mais necessidade de ajuda,
  5. Relação mais fraca com os pais (na fase de envelhecimento).

Diferença de idade

As possíveis consequências de uma separação podem variar de acordo com a faixa etária. A gravidade dos problemas após o divórcio não depende da idade, mas a forma como crianças e jovens respondem à separação dos pais varia de acordo com a faixa etária. É importante não confundir o comportamento associado ao desenvolvimento normal em uma determinada faixa etária com o comportamento relacionado à separação. Para os pais, é importante entender claramente quais tarefas de desenvolvimento pertencem a uma certa faixa etária. Mais informação por faixa etária você encontra nos artigos complementares, parte DOIS e parte TRES.

Dalva é psicoterapeuta formada na Holanda, onde reside a mais de 35 anos. É associada à associação de terapeutas LVPW e RBCZ. Atende online e em seu consultório Praktijk Dalva. https://redequerobrasil.nl/listing/psicoterapeuta bilingue/

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