O IMPACTO DA CRISE DO COVID-19 EM NOSSAS VIDAS

por Dalva Marçal da Cruz

Como seres humanos possuímos o instinto de sobrevivência, que tem como objetivo principal nos proteger do perigo. Graças a ele sentimos medo diante do perigo.  Isto nos faz ter por exemplo força e folego para correr quando percebemos algo ameaçador. Por trás desse instinto de sobrevivência esconde-se o medo.  Podemos dizer que é o medo de morrer.

O medo faz com que tentemos conservar o que temos e o que consideramos seguro e confiável porque é conhecido, criando assim os hábitos.  Por isso somos criaturas com certos padrões de pensamento e comportamento. Temos então a tendência a rejeitar tudo que é novo ou diferente daquilo com que estamos acostumados. Mas isso impede nosso desenvolvimento, para o desenvolvimento precisamos justamente sair dessa zona de conforto e ir de encontro ao desconhecido.

A atual crise pela qual passamos nos convida a repensar nossos valores e como queremos viver, nos convidando a ter outras prioridades e outra visão de vida, ou seja: nos desafia a sair da nossa zona de conforto e enfrentar o desconhecido. Precisamos deixar nossa segurança e ter coragem de enfrentar o que é novo para nós.

Percebemos nesse momento a batalha entre o conservadorismo e o desejo de inovar que existe também nos processos de crescimento individual mas agora, em uma escala muito maior. Depois que todos ficaram em silêncio durante as primeiras semanas após o início da crise, vemos que a tendência para voltar aos padrões antigos se manifesta fortemente.

Não queremos mudar nossa forma de pensar e agir. Queremos voltar à rotina antiga, aos padrões de sempre. Vemos as pessoas tentando defender seus próprios interesses. Será que o vírus vai continuar agindo até que nosso padrão de vida não seja mais sustentável e sejamos forçados a mudar nosso modo de vida? Isto vale também para o brasileiro que vive na Holanda.

Segundo a professora, cientista e virologista holandesa Marion Koopmans em uma entrevista para o jornal Volkskrant (20/6/2020), precisamos refletir seriamente sobre nosso estilo de vida, o que realmente é necessário e o que podemos mudar, por exemplo sobre viagens, alimentação, consumo, limites de produção etc. Isto para evitar novas pandemias.

O que podemos fazer individualmente?

Individualmente podemos refletir sobre alguns valores e questões como:

  • Colocamos nossa energia naquilo que é realmente importante ou nos empolgamos com coisas insignificantes de valor temporário?
  • Agimos segundo o próprio interesse ou estamos dispostos a subordinar nosso interesse próprio a um propósito maior?
  • Estamos vivendo nosso propósito de vida ou estamos perdendo tempo com futilidades?
  • Qual é realmente a prioridade em nossas vidas?  Vivemos para elas?
  • Quão realmente é importante ter uma carreira, status, prestígio, ter razão, poder e segurança financeira?
  • Se você deseja que seu parceiro, amigo, colega ou membro da família faça o que você deseja, qual a verdadeira razão pela qual você o deseja?

Às vezes temos dificuldade de fazer estas reflexões sozinhos, nestes casos, devemos ter coragem de procurar um profissional que vai nos ajudar olhar para dentro de nós mesmos e descobrir aquilo que não conseguimos enxergar no nosso íntimo.

Quais os desafios atuais?

A crise atual nos desafia a escolher. Enfrentamos o que realmente é importante ou nos apegamos aos padrões antigos e desgastados? A mudança é um desafio para cada um de nós. Todos sentimos resistência ao abandonar o que é antigo e familiar para enfrentar o desconhecido porém, mudar é essencial para o desenvolvimento individual e consequentemente da humanidade.

É interessante lembrar que a capacidade de mudar e adaptar-se também é uma característica natural do ser humano. Estamos sempre inconscientemente mudando, nos adaptando, influenciados sem perceber pelo ambiente em que vivemos.

Para mudar consciente e escolher o que mudar, precisamos perder o medo e não deixar que ele nos impeça de ir adiante. Aí está nossa liberdade! De qualquer forma enfrentaremos resistência se formos afastados da nossa zona de conforto, pela crise por exemplo. A alternativa é não nos deixar intimidar pelo medo mas escolher as próprias mudanças que queremos fazer. No momento que um número grande de pessoas assume escolher uma mudança rumo ao desenvolvimento, isso gera uma mudança em massa, então toda a humanidade estará mudando. Dessa forma podemos contribuir para o desenvolvimento da humanidade, para um mundo melhor e mais humano.  Não é isso que queremos para nós?

Dalva é psicoterapeuta formada na Holanda, onde reside a mais de 35 anos. Possui todos os registros exigidos pela associação de terapeutas. Atende em seu consultório particular Praktijk Dalva. https://redequerobrasil.nl/listing/psicoterapeuta bilingue/

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