TEMPO DE ENTREVISTAS: Gleiton Pedro

Por Elizabeth Pessoa

                  Gleiton Pedro Soares, predileto das madeixas e cabeleiras brasileiras na Holanda, 45 anos de idade, pai do João Pedro e esposo da Ana Lúcia, está há 17 anos no país, exercendo o dom herdado de sua família que tem tradição no cuidado dos cabelos em geral. Entre uma tesourada e outra, conversei com ele, informalmente, em seu belo estúdio em Amstelveen.

Elizabeth: Você gosta do seu nome?     

Gleiton: Agora eu gosto! Não gostava, não. Eu achava meu nome muito feio, mas passei a gostar quando uma especialista em marketing sujeriu que eu apostasse no meu nome na abertura do meu negócio, pois é um nome forte.

Como foi a sua infância?

Muito boa! Muitas brincadeiras no salão da minha mãe, na tranquila Goiânia. Hoje, meu filho brinca aqui no estúdio também, só que com videogame, enquanto eu brincava com “bob” de cabelo (risos). Perdi meu pai quando era muito pequeno e cresci ao lado de minha mãe e das minhas duas irmãs, comendo mangas e amoras do quintal de casa. Éramos felizes.

O que fez você vir morar na Holanda? 

Eu acredito que, muitas vezes, coisas ruins acontecem na vida para nos forçar a produzirmos o melhor de nós mesmos no futuro. Depois de perdermos tudo em um assalto, resolvi ceder aos pedidos de minha esposa para sair do país e, através de amigos que já viviam na Holanda, tivemos as primeiras ajudas nescessárias.

Quem era o Gleiton Pedro quando chegou aqui?  

Era um Gleiton que não sonhava, que almejava o que a maioria das pessoas da minha geração almejava. Vim para a Holanda com o intuito de passar três anos, trabalhar intensivamente, juntar um bom dinheiro e, com isso, poder voltar para Goiânia, comprar um barracão… E já estaria satisfeito.

Eu lembro bem do seu dinamismo criativo expressado no teatro, anos atrás, na Comunidade Cristã em Amsterdam. Essa dinâmica do jogo de cintura, que foi aprendida e empregada no teatro por você, é também utilizada no seu cotidiano de trabalho?

Sim, muito utilizada. No meu dia a dia, muitas vezes, utilizo meu jogo de cintura, bom humor, paciência, atenção genuína para captar o real desejo final do meu cliente. O teatro foi uma ferramenta que deixou heranças positivas nas minhas atitudes.

Há um requinte atencioso e sério no seu trabalho que transmite sua paixão pelo que faz. Foi difícil chegar a esse nível de equilíbrio?  

Eu acredito que é um processo de melhoramento constante, vir para a Holanda me ajudou a amadurecer muitas qualidades que corriam em minhas veias. Aqui, tive a oportunidade quase que imediata de exercer meu dom com a barbearia e aprimorar a curiosidade e a vontade de trabalhar com o cabelo feminino.

Existe uma diferença preponderante entre cuidar dos cabelos das mulheres brasileiras e cuidar dos cabelos das mulheres holandesas?

Sim, a praticidade e a agilidade que as holandesas querem não são exigidas pelas brasileiras. O que prevalece entre as latinas em geral é a perfeição do resultado, independentemente do tempo de espera.

Por muitos anos, o cabelo liso foi tendência absoluta em nossa cultura, através de técnicas e tratamentos, alisavam-se os cabelos que não eram naturalmente lisos. Os cabelos afros ou encaracolados eram desprezados, mas, hoje, já existe um livre movimento de valorização desse cabelo cheio, original e escuro. Em seu estúdio, existe um olhar para o cabelo crespo?

Sim, claro, somos bem preparados para otimizar mais ainda a beleza dos cabelos crespos ou encaracolados, com cuidados individualizados, assim também como fazemos com o cabelo liso e o cabelo masculino.

Qual foi seu maior desafio até aqui? 

Meu maior desafio foi começar a empreender na Holanda sem falar o idioma holandês.

E para suas inspirações, o que você busca?

Me inspiro em Brigitte Bardot, nos clássicos dos anos 1950, 1960.

Como você recarrega suas energias?  

Encontrando bons amigos, comendo bem e, principalmente, ao lado de minha família, em casa e dando sempre boas gargalhadas.

Qual seria seu conselho incentivador a pessoas que hoje pretendem empreender na Holanda?     

Eu aconselho a não dar crédito aos outros, não. Sempre vai aparecer aquele que vai te dizer que você não tem “essa bola toda” ou que você não é forte o bastante para conseguir, que não vai dar certo. Esqueça o “não”, acredite e prossiga.

Quem é o Gleiton Pedro? Você pode se descrever hoje?                                          

Um cara sonhador, que acredita que também se consegue tirar o melhor das dificuldades. Desbravador, que gosta de desafios e de mudar para melhor sempre.

Quem ou o que vem de imediato a sua mente quando um sentimento de profunda gratidão desperta e você? 

Sou muito grato a algumas pessoas em especial, mas, na minha mente, quem vem de imediato são minha esposa, Ana Lúcia, que, na prática, me ajudou demais e continua ajudando, e minha mãe, Aparecida, que intercedia e intercede o tempo todo por mim.

Sua considerações finais:  

Quero dizer que estou muito feliz por perceber o interesse das pessoas em reconhecerem o nosso trabalho. Isso só comprova que estou no caminho certo. Muito Obrigado!

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