INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA

Por Isadora Escorza

Desde que enveredei minha jornada como coach, pude aprender muitas abordagens de como me conectar melhor com os outros, e principalmente, ouvir com mais empatia. Eu senti o impacto direto, não só nas minhas relações profissionais, mas também interpessoais.

Ainda assim, eu sentia que algo faltava. Eu tinha vontade de me comunicar com mais clareza com as pessoas mais próximas a mim, e me parecia que, justamente por elas serem tão próximas, a comunicação muitas vezes ficava cheia de ruído. Era como se, às vezes, eu tivesse tanto para dizer, que eu me sentia um copo cheio, e não tinha espaço para acomodar o outro. E assim, nasciam os conflitos.

Foi então que, em janeiro deste ano, eu me inscrevi no curso de Comunicação Não-Violenta. Eu já tinha assistido alguns vídeos sobre assunto, e alguns conhecidos meus, que fizeram o curso, estavam muito satisfeitos. Resolvi tentar, afinal, é sempre bom investir em nosso desenvolvimento pessoal.

Eu continuo seguindo com o curso, e por essa razão, venho dividir aqui com vocês um pouquinho sobre o que é Comunicação Não-Violenta.

O que é Comunicação Não-Violenta

A girafa é o animal com o coração mais forte do mundo.
E também o símbolo da Comunicação Não-Violenta

Criada, nos anos 60, pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg, a CNV (Comunicação Não-Violenta) é muito utilizada, hoje em dia, para resolução de conflitos e relacionamentos interpessoais. A CNV tem empatia como peça chave. A abordagem parte do pressuposto que, todos nós temos necessidades parecidas e nossas ações são estratégias para satisfazer essas necessidades.

Ao enxergar o outro de forma compassiva e empática, percebemos que não somos tão diferentes. Nós dividimos as mesmas dores e delícias. Mas talvez, a forma como agimos e nos comunicamos, seja diferente. Daí, surgem os conflitos.

Quando contei aos meus amigos que iria estudar Comunicação Não-Violenta, alguns fizeram piada com o nome, e me indagaram: “Mas como assim? Quer dizer que toda comunicação é violenta? Que todo mundo só sabe brigar?”.

Essa é uma boa observação. E a resposta é: sim e não. A comunicação violenta não se configura, necessariamente, com violência explícita. Seja ela verbal ou física. A violência pode estar no tom de voz, nas palavras que escolhemos usar, ou a forma como nos comunicamos. Ela impede que o diálogo se forme. É aquela situação em que, quase todos nós já passamos: há um interesse maior em provar pontos do que construir pontes.

A premissa da CNV (Comunicação Não-Violenta) não é de falar baixinho, evitar conflitos e abaixar a cabeça. Muito pelo contrário, é uma forma de olhar para nós mesmos, as situações e as pessoas, de forma empática e sincera. CNV não é tão pouco um método ou uma técnica. Mas sim, uma linguagem compassiva, que abre horizontes, trazendo um olhar neutro para as situações, sem julgamentos.

Para praticar CNV é necessário mudar ou adotar hábitos, como: não julgar, empatia, saber ouvir, conectar-se com seus sentimentos e necessidades.

Praticando Comunicação Não- Violenta

Se você tiver interesse em praticar os passos básicos de CNV, aqui estão os 4 primeiros passos criados por Marshall Rosenberg. Lembrando que, CNV não é um passe de mágica, ela exige mudança de hábitos e mindset.

  • 1. Observação sem julgamento: o que te incomoda ou gera conflito. Observe as ações e as circunstâncias. Lembrando que a observação deve ser neutra, ausente de julgamento. Use apenas fatos, e não interpretações, avaliações ou sentimentos.

Exemplo neutro: Hoje eu cheguei em casa após o trabalho, e meu filho não lavou a louça como eu havia pedido a ele.

Exemplo com julgamento: Meu filho nunca me ajuda em nada em casa, eu sempre tenho que repetir a mesma coisa 100 vezes.

  • 2. Sentimentos: quais sentimentos estão aflorados em você por conta dessa situação?

Exemplo neutro: Eu estou chateada/ brava/ decepcionada porque meu filho não lavou a louça como eu havia pedido a ele

Exemplo com julgamento: Eu sinto que meu filho não me ouve/ Eu sinto que eu faço tudo sozinha nesta casa/ Eu sinto que eu nunca tenho tempo para mim

  • 3. Necessidades: qual necessidade está atrás desse sentimento? Qual necessidade não foi satisfeita e agora cria conflito? Comunique o que você sente e necessita para a pessoa com qual você tem um conflito. É importante esclarecer bem os 3 primeiros passos, porque é o momento de auto conexão.

Exemplo de necessidades: Apoio/ Relaxamento/ Harmonia/ Parceria/ Respeito/ Ajuda/ Cooperação

Exemplo neutro: Quando eu cheguei em casa e vi que a louça não estava lavada, eu fiquei chateada (Observação e Sentimento). É importante para mim poder relaxar quando chego do trabalho e aproveitar com nossa família (Necessidade).  

Exemplo com julgamento: Eu sinto que você não me respeita e não me ajuda. Eu estou cansada e ainda tenho que arrumar a casa sem a ajuda de ninguém.

  • 4. Pedido: explique a outra pessoa qual a necessidade que você tem, de forma clara e objetiva. Esteja preparada para um “não”. CNV não tem o objetivo de manipular as pessoas, mas de estabelecer conexões e resolver conflitos. A partir de aqui, a conversa pode desenrolar, e outras questões podem ser levantadas.

Exemplo: Quando eu cheguei em casa e vi que a louça não estava lavada, eu fiquei chateada (Observação e Sentimento). É importante para mim poder relaxar quando chego do trabalho e aproveitar com nossa família (Necessidade). Eu preciso da sua ajuda para gente manter uma rotina legal, sem estresse. Eu posso contar com seu apoio a partir de amanhã? (Pedido).

Isadora Escorza é life coach especializada em inteligência emocional, autoconhecimento e autoconsciência. http://redequerobrasil.com/listings/life-coach-humanista/

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