PESSOAS ENDIVIDADAS FAZEM ESCOLHAS RUINS

Por Alexia Waagmeester

O destaque de hoje é a palavra endividado; termo que assusta muita gente, provoca insônia e desestabiliza.  Os motivos de se ter contraído uma dívida podem ser variados, a perda do emprego, doença, falecimento de um dos parceiros, gravidez não planejada, mau uso do dinheiro, recompensas (quando se compra o que não precisa apenas para se sentir momentaneamente melhor) e/ ou gastos muito acima do que o seu salário pode permitir.

Nossa escolhas

Muitas vezes fazemos as nossas escolhas financeiras baseadas no sentimento, por isso cometemos tantos erros. Eu poderia continuar a enumerar motivos que fazem as pessoas contraírem dívidas, mas a questão é: quando se está endividado, não se consegue pensar a longo prazo e por essa razão acaba ser levado a fazer escolhas ruins. Depois do ocorrido, não importa mais como se chegou nessa categoria, mas uma vez dentro dela é preciso atacar a raiz do problema para voltar ao patamar anterior.

Na tentativa de resolver a situação de forma imediata, se escolhe geralmente a solução a curto prazo, um exemplo prático que posso citar é; quando se está com a barriga vazia e com pouco dinheiro, não se pensa a longo prazo, e decide sobre a primeira comida cheia de gordura, sal ou açúcar que vai encontrar, pois, é o que você pode pagar naquele momento. “Geralmente alimentos com baixo valor nutricional são mais baratos.”  Nessa situação, não se tem tempo para pensar se é saudável ou não, a prioridade é satisfazer a fome. É assim que fazemos escolhas ruins, compramos o que o dinheiro pode pagar, e não pensamos nas consequências. Quando se está endividado você não decide nada, o seu dinheiro decide por você, o seu desejo torna-se segunda opção.

Consequências emocionais

Podemos ressaltar que pessoas endividadas tem rendimento menor no trabalho, irritabilidade e falta de concentração, tendo “stress” como resultado dessa junção de problemas. Sem dinheiro e com a vida social limitada, lazer e prazer ficam em segundo plano, a prática de esportes torna-se um luxo a que você não pode se dar, pois, a sua cabeça está focada apenas em problemas. As relações afetivas pessoais com os filhos e parceiro(a) são as que mais sofrerão o impacto dessa nova situação. O endividado geralmente não pede ajuda, pois tem vergonha em admitir que não é bom com dinheiro, mesmo quando não é o causador direto da situação. Tornando assim o assunto proibido, indiscutível e agravando o problema. O que leva a pensar que a solução está cada vez mais longe.

Mas não é bem assim.

Primeiro passo é admitir que o problema existe. Sei que para nós, brasileiros na Holanda, a barreira da língua a desinformação e insegurança, exercem um papel de destaque na falta de solução do problema, por isso peça ajuda, para família, pessoas em quem confie ou um especialista. Essa atitude terá um papel crucial nessa retomada do equilíbrio das finanças. Acredite você não está sozinho.

O que posso fazer?

Se a dívida ainda está no começo, você mesmo ou alguém da sua confiança pode resolver o problema:

  • Faça um apanhado geral de tudo que está em atraso.
  • Crie uma planilha contendo o seu salário e/ou subsídios que você recebe por mês, assim como as suas despesas fixas.
  • Não espere até receber uma carta de um credor, mas se receber, entre em contato imediato, telefone e tente negociar de uma maneira que você possa pagar.
  • Se você está empregado, use o dinheiro das férias para sanar as suas dívidas. Algumas empresas pagam um salário extra no final do ano, o que chamamos de “13 maand.” Outras pagam um “eindejaarsuitkering” que é um bônus que oferecido aos funcionários como recompensa de um ano de bom faturamento. Se você receber, use esse dinheiro também.
  • Se a sua dívida for grande e complexa, você irá precisar com certeza de ajuda. Procure os serviços de profissionais especializados e experientes no assunto e você vai obter toda a ajuda necessária para a resolução do problema.

Existe sim uma luz no fim do túnel. Não é  fórmula mágica, mas trabalho duro, exige disciplina, e equilíbrio emocional. Portanto, peça ajuda. Medo e vergonha nunca pagaram dívidas.

    Alexia é pós-graduada em História do Brasil e baseada na sua experiência e vivência na Holanda quer desmitificar um assunto tão polêmico que é o dinheiro. http:// http://redequerobrasil.com/listing/palestras-sobre-financas-pessoais/

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Comentários

  • Santuza
    20/08/2019 at 12:49

    Já estamos começando a colocar em prática, muito obrigada.

    • Alexia
      26/08/2019 at 21:45

      Saber que você já está colocando em prática, me motiva a fazendo um trabalho cada vez melhor.

      Obrigada

  • Telma
    26/07/2019 at 09:42

    Dicas super úteis de uma mulher que sabe do que está a falar! Artigos excelentes, obrigada pela partilha Alexia

    • Alexia
      26/08/2019 at 21:51

      Telma, suas palavras são muito carinhosas, obrigada você por ler e comentar.
      Um grande abraço,

      Alexia

  • Ivana saback
    13/07/2019 at 01:16

    Gratidão ?

  • Charlton Ximenes
    12/07/2019 at 20:51

    Materia Maravilhosa. Parabens!!!!

    • Alexia
      26/08/2019 at 21:41

      Muito obrigada pelo seu comentário.
      Um grande abraço
      Alexia

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